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Enunciado. Prove que
.
É uma das demonstrações mais famosas da matemática, e ela funciona por redução ao absurdo: supomos o contrário do que queremos provar e mostramos que isso leva a uma contradição.
A suposição. Admitamos que
seja racional. Então ele pode ser escrito como uma fração irredutível
, com
,
e
.
Essa exigência de ser irredutível não é detalhe: é dela que a contradição vai nascer. E ela é legítima, porque toda fração pode ser simplificada até chegar nessa forma.
Passo 1 — elevar ao quadrado.
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Passo 2 — concluir que
é par. A igualdade diz que
é o dobro de alguma coisa, logo
é par. E se
é par,
também é — porque o quadrado de um ímpar é sempre ímpar.
Passo 3 — usar isso. Sendo
par, escrevemos
, com
, e voltamos à igualdade:
![]()
Passo 4 — a contradição. Pelo mesmo raciocínio do passo 2,
é par e portanto
é par.
Mas então
e
são ambos pares — os dois divisíveis por 2. Isso contradiz
, que era a nossa hipótese de fração irredutível.
Conclusão. A suposição de que
é racional leva a um absurdo. Logo
. ![]()
O argumento é mais geral do que parece: troque o 2 por qualquer primo
e a demonstração funciona igual, provando que
é irracional. É esse resultado que o exercício 81 usa como peça.
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